segunda-feira, 18 de junho de 2018

Nos teus olhos
o fulgor do limbo
porque te negaste
tão frondoso desejo?

Tão rosadas são as pétalas
que brotam dos teus seios
tenro caule
que se dobra no braçal

Honoré DuCasse

domingo, 27 de maio de 2018























A arte existe, porque a vida não basta...(Ferreira Gullar)
A arte sublima-nos, arremessa-nos deste fenótipo mutante e do espectro limitativo. Subsiste ao tempo e à memória, perfura os séculos e a vida, perdura no nosso âmago e dissolve-nos os sentidos. A arte agita, provoca, questiona, torna a razão redundante, prescreve-a e devolve-nos a humanidade tolhida pelo preconceito e pela frivolidade dos tempos modernos. No fim, é o amor que fica...


José Guerra (Honoré DuCasse)
https://www.facebook.com/joseguerraautor/

sábado, 26 de maio de 2018

Murmúrio Incerto



Sente o vento

Que gela a sombra na palavra

Deixa que o olhar se demore

para além do instante

Há muito que me deixei partir

Sobra a leve memória

E o murmúrio incerto das arribas

E dos dias gastos

Que deram à costa


Honoré DuCasse

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Vida em sombras


Quando eu morrer
Serei um palmo de terra embriagado
Um livro calado
Síntese de uma vida em sombras

Serei a voz do poema
Nas bocas cantadas
Serei o início
E o fim da noite
E o amor em lágrimas
De uma ferida cansada

Se soubesses
como eu estava feliz no teu sorriso
Não deixavas os dias passar
Nem o tempo envelhecer
As rugas do nosso olhar

Se soubesses como eu estava feliz
Guardavas a lágrima
que te fiz no rosto
E a chuva que nos caiu
Antes de morrer de desgosto

Honoré DuCasse

Vídeo - Therion- La Maritza ( " Les Fleurs du Mal")

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Quando aqui não estás...



Quando aqui não estás

o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar

continua fechada só nos sonhos

me ergo

abro-a

deixo a frescura e a força da manhã

escorrem pelos dedos prisioneiros

da tristeza

acordo

para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido

além

rasando o sal da imensa ausência

uma voz

quero morrer

com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado

perscruta esse coração

esse

solitário caçador


Al Berto

terça-feira, 1 de maio de 2018

Amar Pelos Dois


Amar Pelos Dois
Salvador Sobral
  
Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois