sábado, 20 de dezembro de 2008

O Banco do Tempo

É nesta quadra natalícia que as pessoas mais se aproximam para estarem em família, mas também é nesta altura que muitas pessoas se sentem mais sozinhas. O habitual frenesim de véspera de Natal torna as pessoas autómatas e despersonalizadas. O mais importante é consumir e apresentar o resultado desse consumo no dia 25. 

Mas também não deixa de ser um paradoxo que muita gente "tenha tudo", mas não tenha o mais básico e elementar, ou seja tempo para o "outro", tempo para ouvir e ser ouvido. A solidão já não se manifesta apenas nos escalões etários mais elevados. A desestruturação das familias e o egocentrismo das grandes cidades vai isolando cada vez mais as pessoas. Muita gente apenas se relaciona por interesse e conveniência.

A falta de tempo e a solidão parece ser mais uma das "crises" emergentes do nosso século. É vulgar ouvir com frequência a frase "não tenho tempo", "tempo é dinheiro", "não sei se vou ter tempo", etc. Todavia arranjamos tempo para andarmos colados ao telemóvel como se este fosse algo de que a nossa sobrevivência depende, arranjamos tempo para passar horas nos hipermercados, horas nas filas de trânsito e horas na fila para pagarmos os brinquedos que vamos oferecer aos nossos filhos ou aos nosso familiares para "comprarmos" o tempo que não temos para estar com eles.

Citando Plutarco, "É preciso viver, não apenas existir" e viver não é ignorar que os outros existem e precisam de comunicar, viver não é consumir desenfreadamente, não é ter inveja daquilo que as outras pessoas têm, tampouco sermos egocêntricos e preconceituosos. Isto são formas de existir.

Um dos grandes desafios é criarmos bancos do tempo. Todos nós, numa ocasião ou noutra, precisamos de falar e ser ouvidos sem que estejamos a contar os minutos para irmos não sei onde, ou fazer não sei o quê, ou pura e simplesmente sermos interrompidos por um telemóvel que parece ser mais importante que qualquer conversa que estejamos a ter com a outra pessoa.

Pensem nisto....e já agora votos de boas festas a todos e que 2009 nos traga "mais tempo" para dedicarmos ao outro....

Atentamente,
José Guerra