terça-feira, 26 de junho de 2012

Fui passear o vento...

É tarde, já se calou a voz
O pensamento vagueia-me
O silêncio corta-me o respirar
Um de mim saiu por ai
Fui passear o vento
nesta noite de meia lua
Cheira a passado, fico tolhido
Nesta aragem sonolenta
Sinto que as estrelas conversam
De tão alto falam que nem as ouço
Mas posso-lhes tocar
porque são o meu Mar

José Guerra (2012)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Bebi-te num rio...


Bebi-te num rio numa manhã de degelo
Tacteavas a pedra polida
Como se tivesses lábios de desejo
Percorrias as entranhas nos fiordes
Num frenesim sensual
Derretias os prados fumegantes
Mitigavas-me o anseio ardente
Nos teus lábios quentes
Mordias o verde até ser rio
Morrias-me na foz até ser gente

José Guerra (2012)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Plantei-te uma flor...

Plantei-te uma flor
com o teu sabor
nesse corpo de harpejo
minha boca
teu desejo
éramos assim feitos
de saliva e beijo
como da primavera
o cerejo

José Guerra (2012)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

São vagas perpétuas...

Há muito que o sol partiu
e a noite em mim caiu
pesa-me a alma roxa
como agapantos
sei que me vês do mar
onde eu queria acabar
os meus olhos não têm chão
são vagas perpétuas
que eu queria calar
nesse amor, florido de sal
que um dia te sonhei amar

José Guerra (2012)