quarta-feira, 24 de outubro de 2012

É no silêncio...



É no silêncio
que ouço o bater das asas

De um sonho insano
É no silêncio que se pintam
águas de fresco numa janela de mar
em tons de verão, floridas de primavera
cinzeladas de inverno, douradas de outono
cravadas na memória, de risos escondidos
nos amores vividos

É no silêncio, que adormeço
morrem as sombras do passado
morre a palavra, morre a inquietude
conheço-me, num gesto que se olha
onde me abandono, encontrando-me

Sou de mim um eco, um instante
reflectido nas gentes sem rosto
que no meu desgosto se apagaram
naquela manhã, feita de tarde
que cheirava a crepúsculo
como de um poema se findasse
e o meu coração se calasse

José Guerra (2012)

Sem comentários:

Enviar um comentário